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Artigo

Produzir biológico na fazenda: o que a lei permite e como garantir a qualidade

A produção para uso próprio é permitida por lei e baixa o custo por hectare. O que separa um bom resultado de um tanque contaminado é o processo.

30 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Multiplicar fungos e bactérias benéficos em um biorreator dentro da propriedade, a chamada produção on farm, virou realidade em muitas fazendas do Mato Grosso. O motivo é simples: o mesmo microrganismo do produto pronto sai por uma fração do custo por hectare. Mas a economia só aparece se o que sai do tanque for, de fato, o microrganismo certo.

O que a lei permite

A Lei 15.070, sancionada em dezembro de 2024, criou regras próprias para os bioinsumos no Brasil. Para quem produz na fazenda, os pontos principais são:

  • a produção de bioinsumo para uso próprio é autorizada e dispensada de registro;
  • a venda é proibida: o que é produzido fica na propriedade;
  • a lei prevê um cadastro simplificado das unidades de produção, com dispensa para a agricultura familiar;
  • cooperativas, associações e consórcios de produtores também podem produzir nesse regime;
  • a importação de bioinsumo para uso próprio é proibida.

Detalhes como o cadastro, as boas práticas exigidas e a necessidade de responsável técnico dependem da regulamentação da lei, que o Ministério da Agricultura vinha discutindo em 2026. Antes de montar a sua unidade, confira as regras em vigor no site do MAPA.

O risco que pouca gente vê: a contaminação

Um biorreator é um ambiente perfeito para microrganismos crescerem. Todos eles, inclusive os que você não quer. Pesquisas da Embrapa com amostras coletadas em fazendas mostraram o tamanho do problema:

  • amostras de Bacillus produzidas on farm em Mato Grosso e Goiás tinham elevado índice de contaminação por outras bactérias;
  • em inoculantes de Bradyrhizobium e Azospirillum feitos na fazenda, os microrganismos desejados quase não apareciam, e havia contaminantes, alguns com resistência a antibióticos;
  • em outro levantamento, algumas amostras sugeriam contaminação por Salmonella e coliformes termotolerantes.

Um estudo de 2025 ajudou a entender a origem: contaminantes presentes no inóculo continuaram presentes até o fim do processo, favorecidos pelas condições do biorreator. Ou seja, começar com o inóculo errado compromete o lote inteiro.

Os pesquisadores da Embrapa deixam claro que não são contra a produção on farm. O que defendem é produto de qualidade, responsável técnico capacitado e comprovação da qualidade do produto final.

Como fazer certo

  1. Inóculo de origem conhecida. Cepa selecionada, pura e com laudo. Nunca use o lote anterior como semente do próximo.
  2. Assepsia do tanque e água tratada. Limpeza do biorreator, cloração da água, neutralização do cloro antes do inóculo e pH corrigido.
  3. Meio de cultura certo para cada microrganismo, na quantidade indicada no protocolo.
  4. Controle durante a fermentação. Temperatura, pH e aeração acompanhados nas 48 a 72 horas do processo.
  5. Análise de cada lote antes de levar ao campo, para confirmar a concentração e a ausência de contaminantes.
  6. Armazenamento e uso rápido. Abaixo de 20 °C e aplicação no prazo do protocolo.
  7. Responsável técnico acompanhando o processo e a equipe treinada para ele.

Vale a conta?

Feito com processo, sim. A diferença de custo por hectare entre o produto pronto e o multiplicado na fazenda costuma ser grande, e você pode simular a sua na calculadora de economia. O que não vale é economizar no inóculo e no controle de qualidade, porque um lote contaminado custa a aplicação, a janela e, às vezes, a lavoura.

Como a On Farm Bio trabalha

Os kits On Farm trazem o inóculo da cepa selecionada, o meio de cultura e os insumos de preparo. Junto vêm o biorreator, o treinamento da equipe, o protocolo de assepsia e o suporte técnico para cada lote. Veja o passo a passo completo no Sistema On Farm.

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