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Guia técnico

Percevejo barriga-verde no milho safrinha: quando o prejuízo começa e como agir

O ataque acontece nos primeiros dias da lavoura, escondido na palhada da soja. Veja como reconhecer o dano, monitorar e decidir a hora de entrar.

30 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Quem planta milho logo depois da soja conhece o problema: a lavoura emerge bonita e, em poucos dias, aparecem plantas com folhas furadas, enroladas ou perfilhadas. Na maioria das vezes, o responsável é o percevejo barriga-verde, um inseto que passa a entressafra escondido na palhada e ataca justamente na fase em que o milho mais sofre.

Por que o milho safrinha é o alvo

O percevejo barriga-verde (antes chamado de Dichelops melacanthus e D. furcatus, hoje classificado no gênero Diceraeus) se alimenta da soja no fim do ciclo e fica abrigado na palhada depois da colheita. Quando o milho é plantado em seguida, os insetos já estão ali, esperando as plântulas emergirem.

Segundo a Embrapa, o milho é sensível ao ataque até cerca de cinco folhas. É uma janela curta, e o dano feito nela não tem volta.

Como reconhecer o dano

O percevejo pica a base do colmo da planta jovem e injeta saliva tóxica. O resultado aparece alguns dias depois:

  • folhas com furos em fileira, que surgem quando a folha se desenrola;
  • folhas enroladas ou retorcidas no cartucho;
  • plantas perfilhadas, que gastam energia em brotos sem espiga;
  • plantas mortas e falhas no estande, que derrubam a produtividade desde o início.

Como monitorar

O monitoramento tem que começar antes do plantio. Faça a vistoria da palhada e da base das plantas nas primeiras horas da manhã, quando o percevejo está menos ativo e mais fácil de achar. Conte os insetos em vários pontos da área e calcule a média por metro quadrado.

Referência de nível de dano

Pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste estimou o nível de dano econômico do percevejo barriga-verde no milho em 0,58 percevejo por m². Materiais técnicos de campo costumam usar 0,5 percevejo por m² (ou 1 percevejo a cada 10 plantas) nas fases iniciais como sinal para agir. Use esses números como referência e decida com o seu agrônomo.

A hora de agir é logo no começo

No milho safrinha, a proteção deve começar logo após o plantio, sobre a palhada da soja, da emergência às primeiras folhas. Esperar o sintoma aparecer significa que a planta já foi picada.

O que o manejo biológico faz

Dois microrganismos trabalham bem juntos contra percevejos:

  • Chromobacterium violaceum: bactéria que age por contato e ingestão sobre o inseto;
  • Metarhizium anisopliae: fungo que infecta o percevejo pelo contato, inclusive os que estão abrigados na palhada.

Na On Farm Bio, essa combinação está no Blend Bug. Para quem produz na fazenda, os mesmos microrganismos vêm nos kits CHFarm e MethaFarm. O Daubkill e o Beauv Flay entram como complemento no programa.

Cuidados para o biológico funcionar

  • Aplique nas horas mais frescas do dia, no fim da tarde ou à noite, quando há mais umidade e menos sol direto sobre o fungo.
  • Garanta boa cobertura da palhada e da base das plantas, que é onde o percevejo está.
  • Confira a compatibilidade antes de misturar com fungicidas ou outros produtos no tanque.
  • Continue monitorando depois da aplicação para saber se a população caiu.

Quer saber qual produto e qual dose usar na sua área? Veja a página do percevejo barriga-verde ou fale com a equipe técnica.

Quer ajuda para aplicar isso na sua lavoura?

A equipe técnica indica o produto e o manejo para o seu caso.

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