Inoculação e coinoculação da soja: os cuidados que fazem a diferença na nodulação
Inocular todo ano e somar o Azospirillum ao Bradyrhizobium aumenta a produtividade, mas só funciona se a bactéria chegar viva à semente.
A soja brasileira dispensa adubo nitrogenado graças a uma parceria com bactérias. O Bradyrhizobium forma nódulos na raiz e transforma o nitrogênio do ar em alimento para a planta. É a tecnologia mais barata da lavoura, e também uma das mais fáceis de perder por um descuido na hora de aplicar.
Por que inocular todo ano
Mesmo em áreas onde a soja já foi plantada várias vezes, a reinoculação compensa. Em trabalho da Embrapa, inocular de novo a cada safra trouxe incremento médio de 8,4% no rendimento de grãos em comparação com áreas que não eram inoculadas anualmente.
O que a coinoculação acrescenta
Coinocular é aplicar, junto com o Bradyrhizobium, uma segunda bactéria: o Azospirillum brasilense. Ele estimula o crescimento das raízes, o que dá mais lugar para os nódulos se formarem. A Embrapa recomenda a coinoculação desde a safra 2013/14 e relata nodulação mais abundante e mais precoce. Em ensaios divulgados pela Embrapa, a coinoculação rendeu em média 7,7% a mais do que a inoculação só com Bradyrhizobium.
Os cuidados que mantêm a bactéria viva
Inoculante é um produto vivo. Sol, calor e alguns químicos matam as bactérias antes de chegarem ao solo. Os cuidados recomendados pela Embrapa:
- Faça a inoculação à sombra e deixe as sementes secarem também à sombra.
- Semeie no mesmo dia. Semente inoculada esperando no galpão perde bactéria a cada hora.
- Proteja a semente do sol e do calor no transporte e na caixa da semeadora.
- Não coloque o inoculante direto na caixa da semeadora e não faça "sopão" misturando inoculante com agroquímicos.
- Use a dose cheia indicada no rótulo. Dose reduzida só se for impossível aplicar a completa.
- Cuidado com o tratamento químico de sementes. Fungicidas e inseticidas podem reduzir a sobrevivência das bactérias. Quando o tratamento químico for necessário, uma saída é aplicar o inoculante no sulco de semeadura.
Inoculação no sulco
A Embrapa aceita a aplicação do Bradyrhizobium e do Azospirillum no sulco de semeadura como alternativa ao tratamento das sementes. Ela evita o contato direto com os químicos da semente e facilita a logística em áreas grandes, mas pede um volume de calda bem regulado para distribuir a bactéria ao longo da linha.
Na prática
O NoduleFarm Soja traz Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii, com registro no MAPA, e o Blend Zea leva Azospirillum para completar a coinoculação. Quem produz na fazenda pode multiplicar os mesmos microrganismos com os kits BradyFarm e AzosFarm.
Para entender o problema por inteiro, veja a página de nodulação e fixação de nitrogênio.
A equipe técnica indica o produto e o manejo para o seu caso.



